Caso Rodrigo Marinho Crespo: três acusados pela morte do advogado vão a júri popular no Rio

Investigação sobre a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo avança e leva três acusados a júri popular no Rio.
Justiça do Rio marca julgamento de três réus pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em crime que expõe riscos e violência contra profissionais do Direito.
O Tribunal do Júri da Rio de Janeiro iniciou nesta quinta-feira (5) o julgamento de três acusados pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, crime ocorrido em 26 de fevereiro de 2024 no Centro do Rio. A ação criminosa, caracterizada por execução planejada, foi investigada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que reuniu provas periciais, depoimentos de testemunhas e registros de câmeras de segurança, formando base para a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a denúncia, os réus — Leandro Machado da Silva, ex-policial militar, Cezar Daniel Mondego de Souza, conhecido como “Russo”, e Eduardo Sobreira de Moraes — são responsáveis por homicídio qualificado, motivado por razão torpe, uso de recurso que dificultou defesa da vítima e associação criminosa. A acusação sustenta que houve planejamento, monitoramento e execução coordenada, configurando crime doloso contra a vida conforme previsto no Código Penal Brasileiro.
O crime ocorreu por volta das 14h, em plena luz do dia, na Avenida Marechal Câmara, a poucos metros da sede da OAB-RJ e do Ministério Público, área central e movimentada da capital fluminense. Câmeras de segurança captaram o momento em que a vítima foi surpreendida por um homem encapuzado que disparou diversas vezes, fugindo em veículo previamente estacionado.
Rodrigo Marinho Crespo, advogado com atuação em direito civil, empresarial e assessoria a empresas de criptoativos e loterias, estava envolvido em causas de alto impacto econômico e social. A investigação aponta que sua atuação profissional pode ter motivado o crime, envolvendo interesses de grupos organizados e atividades ilícitas, como contrabando e exploração de apostas online.
Durante a investigação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, realizou entrevistas detalhadas e coletou elementos de prova, incluindo registros digitais e análise de veículos utilizados na fuga. A apuração identificou participação direta dos réus, além de indícios de vínculo com organizações criminosas que atuam em jogos ilegais e contrabando de produtos, fortalecendo a tipificação de associação criminosa e homicídio qualificado.
O Tribunal do Júri iniciou o procedimento com a oitiva das testemunhas de acusação, seguida pela análise de perícias e interrogatórios. Testemunhas de defesa serão ouvidas posteriormente, seguindo os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. O julgamento, conduzido por jurados leigos, decidirá sobre a culpabilidade e aplicação das penas, que podem incluir reclusão em regime fechado, dada a gravidade e qualificações do crime.
A morte de Rodrigo Crespo teve repercussão nacional, mobilizando a Ordem dos Advogados do Brasil e entidades de classe, que destacaram a importância de reforço na segurança de advogados, especialmente aqueles envolvidos em litígios sensíveis ou de alto risco. O caso também suscitou debate sobre protocolos de proteção, transporte seguro e acompanhamento preventivo em tribunais e escritórios.
Além da punição individual, o julgamento é visto como marco para prevenção de crimes contra profissionais do Direito, reforçando a necessidade de ações coordenadas entre Ministério Público, Polícia Civil e órgãos de segurança pública. Especialistas ressaltam que a responsabilização eficaz de criminosos é fundamental para manter confiança na Justiça e proteger agentes que atuam na defesa de direitos e interesses públicos e privados.