Operação Hunter: MPRJ denuncia 21 milicianos por extorsão a comerciantes e mototaxistas em Queimados


Operação Hunter mira milícia que atuava em Queimados e Nova Iguaçu

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), mais uma fase da Operação Hunter para combater uma organização criminosa apontada como responsável por controlar atividades ilegais em Queimados, na Baixada Fluminense.

Ao todo, 21 pessoas foram denunciadas por participação na milícia, enquanto a Justiça decretou a prisão preventiva de 20 investigados. Os mandados foram cumpridos em endereços de Queimados, Nova Iguaçu e também no sistema penitenciário, onde parte dos alvos já estava presa por outros crimes.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), as investigações apontam que a organização criminosa atuava de forma estruturada, impondo cobranças ilegais e utilizando ameaças para manter o controle sobre parte do município.

Como funcionava o esquema investigado

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a milícia extorquia comerciantes e mototaxistas ao longo de 2024, obrigando as vítimas a pagar semanalmente uma espécie de "taxa de segurança".

Quem se recusava a colaborar era intimidado e ameaçado pelos integrantes da organização criminosa, segundo a investigação. Esse tipo de atuação é considerado uma das principais características das milícias, que exploram economicamente moradores e trabalhadores por meio da imposição de pagamentos ilegais.

As apurações também indicam que o grupo buscava ampliar seu domínio territorial e financeiro, utilizando a violência e o medo como instrumentos para manter o controle sobre determinadas áreas.

Investigação começou após análise de celular apreendido

Um dos pontos centrais da investigação foi a análise do telefone celular apreendido com Washington Gabriel de Oliveira Rosa, conhecido como "Bibi", preso anteriormente após um confronto entre grupos rivais que disputavam o controle da região.

Segundo o Ministério Público, as mensagens encontradas no aparelho revelaram detalhes sobre o funcionamento interno da organização, incluindo o planejamento de ataques contra grupos rivais e o monitoramento da atuação de policiais militares. Essas informações fortaleceram o conjunto de provas que resultou nas denúncias apresentadas à Justiça.

Prisões ocorreram em diferentes locais

A operação mobilizou equipes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Dos 20 mandados de prisão expedidos:

  • parte foi cumprida em unidades prisionais, onde alguns investigados já estavam detidos por outros processos;
  • os demais tiveram como alvo endereços em Queimados e Nova Iguaçu. 
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