Prisão de "puxador de guerra" do CV no Complexo da Mangueirinha, Duque de Caxias
Um homem apontado pela polícia como um dos principais responsáveis por comandar ataques armados do Comando Vermelho na Baixada Fluminense foi preso na manhã desta quinta-feira (27/8), após trocar tiros com policiais no Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias. Luiz Felipe Gomes da Silva, conhecido como "Simba", é apontado como "puxador de guerra" da facção na comunidade do Corte 8 — termo usado pela polícia para designar quem organiza e comanda ofensivas contra grupos rivais em disputas territoriais.
Para quem mora ou circula pela região da Mangueirinha e do Corte 8, a prisão importa porque atinge diretamente uma das lideranças ligadas à escalada de confrontos armados que a área tem enfrentado nos últimos meses, num cenário de disputa territorial entre facções que já resultou em mortes na Baixada Fluminense.
Como foi a operação
A prisão aconteceu durante uma ação conjunta da Polícia Militar, por meio do 15º Batalhão (Duque de Caxias), com as delegacias 59ª DP (Duque de Caxias), 60ª DP (Campos Elíseos) e 66ª DP (Piabetá). Segundo a Polícia Civil, agentes que patrulhavam a região com o objetivo de coibir ações criminosas flagraram o suspeito em via pública e deram ordem de parada.
Ao perceber a aproximação da equipe, Simba teria efetuado disparos de arma de fogo contra os policiais, que revidaram a agressão. Os agentes montaram um cerco tático na comunidade e, após uma breve perseguição, conseguiram capturar o suspeito.
Quem é o suspeito e do que ele é acusado
De acordo com as investigações, Luiz Felipe Gomes da Silva é apontado como integrante do Comando Vermelho responsável por organizar ataques armados com o objetivo de expandir o território da facção na região — o que a polícia chama de "puxar guerra". A Baixada Fluminense concentra um dos principais focos de disputa territorial entre o CV e o Terceiro Comando Puro (TCP) no estado do Rio, com trocas de aliança frequentes entre criminosos que migram de uma facção para outra levando armamento.
Ele responde por tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e porte de artefato explosivo, por causa do episódio desta quinta. Segundo os agentes, o suspeito já possuía passagens anteriores pela polícia por homicídio qualificado, roubo majorado e porte ilegal de arma de fogo — histórico que reforça, segundo as investigações, seu papel de liderança dentro da estrutura armada da facção na comunidade.
Ainda conforme a apuração policial, Simba está diretamente relacionado a disputas territoriais e homicídios cometidos em Duque de Caxias, embora a investigação sobre sua participação específica em cada um desses episódios continue em andamento.
Análise ND1 RJ
A prisão desta quinta-feira acontece em um território que concentra uma das disputas mais ativas entre facções na Baixada Fluminense. O Complexo da Mangueirinha, que reúne a comunidade do Corte 8, é apontado por levantamentos independentes sobre o mapa do crime organizado no Rio como uma das áreas sob domínio do Comando Vermelho na região — cercado por comunidades como Belford Roxo e Nova Iguaçu, também sob influência da mesma facção.
Nos últimos meses, moradores da região relataram um aumento de tiroteios associados à disputa por território entre o CV e o TCP em bairros vizinhos, como Jardim Gramacho e Barro Vermelho, alimentada inclusive por trocas de facção de traficantes que migram levando armamento pesado para o novo grupo. Prisões como a de Simba tendem a gerar impacto imediato na dinâmica de um grupo armado, mas o histórico recente de operações na Baixada mostra que lideranças de nível intermediário costumam ser rapidamente substituídas dentro da estrutura das facções — o que faz da continuidade das investigações, e não apenas da prisão isolada, o fator mais relevante para reduzir os confrontos na região a médio prazo.
O que diz a polícia sobre a continuidade das investigações
As autoridades informaram que as apurações prosseguem para identificar outros integrantes do grupo armado ligado a Simba, além de aprofundar sua responsabilidade em homicídios já registrados na região. Não houve, até a publicação desta matéria, informações sobre feridos entre policiais ou moradores durante a troca de tiros.
